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27/07/2018 16:00
  • O I Seminário Gênero e Políticas Públicas promove importantes debates

 

 

Na manhã dessa sexta-feira (27), representantes de organismos governamentais e não governamentais se reuniram no auditório do IFRN (Campus Cidade Alta) para a realização do I Seminário Gênero e Políticas Públicas – Olhares Diversos, promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SEMUL). Depois da abertura oficial do evento, que contou com a participação da secretária da SEMUL Andréa Ramalho, a primeira mesa abriu a discussão sobre a chamada ideologia de gênero.

 

A professora e antropóloga da UFRN, Elisete Schwade chamou atenção para o que há por trás da dita ideologia de gênero, que, entre outras coisas, prega a proibição da discussão sobre gênero no ambiente escolar. “O que tem sido chamado de ideologia de gênero é, na verdade, uma categoria acusatória e que tem por objetivo trazer uma percepção naturalizada de masculino e feminino para fazer frente ao que nós discutimos como gênero, que é a desconstrução dessas referências, quando temos múltiplas identidades que fazem parte dos processos subjetivos, das experiências de cada um”, explica a professora.

 

De acordo com a especialista, nas escolas, muitos dos casos de bullyng são direcionados aos meninos chamados afeminados ou a meninas com comportamento masculinizado. Quando se discute gênero, de acordo com Elisete, se abre espaço para que haja respeito às diferenças. “O que é precisamos ensinar nas escolas é respeito e, para que haja respeito, é necessário o reconhecimento da postura do outro como válida, como verdadeira. Temos que relativizar nossa verdade e aceitar que há diferentes jeitos de ser homem e mulher e dialogar com eles. É necessário discutir para entender”, pondera.

 

A segunda mesa contou com a participação de Jacqueline Brazil, presidenta da ONG Atrevida. Ela destacou que a chamada ideologia de gênero estimula o preconceito de gênero e a falta de políticas públicas voltada para mulheres travestis e para homens e mulheres transexuais. “Nós estamos fora das políticas públicas e também não temos acesso ao mercado de trabalho, nem às escolas, e também não temos um serviço de saúde que nos acolha. Mas tivemos importantes avanços: a carteira de identidade com o nome social, o provimento que nos garante agora a retificação de nome e de gênero. Por outro lado, sentimos carência de um laboratório TT para atender à população transexual, além de ginecologistas e proctologistas que tratem homens e mulheres trans”, alerta.

 

Jacqueline Brazil destacou ainda que a chamada ideologia de gênero também é um dos fatores que contribuem com a violência, o aumento nos casos de suicídio da população trans e assassinatos por gênero. Ela alertou que homens e mulheres trans estão sendo assassinados também pelos próprios pais. “O CMDM está de parabéns por ter levantado essa discussão a respeito de um tema que é, na verdade, uma espécie de uma bomba relógio prestes a explodir. Não temos ideologia de gênero, temos identidade de gênero”, defende.

 

Para a presidenta do CMDM, Ildete Mendes, as escolas precisam receber uma formação adequada para que possam discutir de forma clara o real conceito de gênero. “Uma visão deturpada pode prejudicar a formação de crianças e adolescentes. A questão de gênero é muito ampla, a escola precisa assumir esse papel também como protagonista na formação da pessoa”, aponta Ildete, que complementa: são precisos vários olhares para se fazer políticas públicas. Não se fazem políticas públicas sem a nossa cor, sem a nossa fala, sem o nosso jeito de ser”, finaliza.

 


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